domingo, 4 de março de 2007
O grupo
[Contatos]
Wilson Santos :. coordenador
(82) 8821.2976
percussao1@yahoo.com.br
[No despertar dos tambores]
- um resumo da batucada –
Textos . Lis Paim
A Orquestra de Tambores de Alagoas é uma sintonia de ritmos, cores, timbres e sentimentos. Através de uma intensa pesquisa das raízes rítmicas afro-brasileiras e das manifestações folclóricas, o grupo apresenta um verdadeiro resgate de valores da cultura do nordeste do Brasil, integrado a fragmentos da música contemporânea e efeitos sonoros experimentais.
Desde 1989, o músico, artesão e coordenador da orquestra, Wilson Santos, vem pesquisando os ritmos afro-brasileiros. Porém, nos últimos dois anos, passou a direcionar suas pesquisas para a influência destes ritmos nas manifestações folclóricas nordestinas.
Dentro desse contexto surgiu a Orquestra de Tambores de Alagoas, em novembro de 2004, a partir da união de percussionistas experientes e alunos das oficinas de percussão e confecção de instrumentos ministradas por Wilson Santos.
Os instrumentos utilizados nas apresentações são confeccionados artesanalmente pelos próprios integrantes do grupo.
Além do resgate cultural, da pesquisa rítmica e da musicalidade, o grupo objetiva formar multiplicadores do processo de ensino das técnicas percussivas e da confecção de instrumentos artesanais.
A orquestra conta com o apoio da Secretaria de Cultura do Estado de Alagoas e atualmente, participa do Programa BNB de Cultura,
Em 2006 participou do festival BNB musica instrumental e da V feira internacional de musica em fortaleza CE.
[Percutir tambores, repercutindo misturas]
- a pesquisa rítmica -
Desde 1989, Wilson Santos, percussionista e ogam, vem pesquisando os ritmos afro-brasileiros. Com o surgimento da orquestra, a mistura desses ritmos com os das manifestações folclóricas nordestinas foi intensificada - como não poderia deixar de ser, já que o grupo foi concebido dentro do processo de análise das prováveis influências entre essas duas vertentes sonoras.
A constatação dessas prováveis influências só foi possível após uma mistura experimental e descompromissada dos ritmos afro-religiosos, principalmente, com ritmos populares como baião, xote, marcha, bumba-meu-boi, dentre outros.
O aprofundamento dessa consciência tornou o processo de criação do grupo mais fluído, além de ter propiciado a elaboração de uma oficina de percussão, onde essas prováveis influências são demonstradas na teoria e na prática.
Na oficina, ritmos afro-brasileiros de origem keto (tocados com varinhas) e de origem angola (tocados com as mãos) são fundidos com os ritmos folclóricos, sempre agrupando os que apresentam, especificamente, fortes pontos de influência entre si. Essa fusão é feita respeitando as características originais dos elementos rítmicos e dos timbres dos tambores em cada uma dessas sonoridades.
[Tambores falantes]
- timbres e melodias -
Ao fazer referência a um grupo de percussão, a primeira imagem despertada no inconsciente coletivo é de uma grande massa sonora barulhenta e eufórica. Invariavelmente, o som do tambor se confunde com o extravasamento descompromissado das emoções, sem preocupação com a audição alheia, tornando-se muito difícil estabelecer a diferença entre vigor e altura de som.
A Orquestra de Tambores vem trilhando um caminho de desconstrução dessa imagem. Dentro desse contexto, uma das propostas sonoras mais fortes do grupo é a exploração das propriedades musicais dentro da percussão - timbre, intensidade, duração e altura -, de forma consciente e harmoniosa, potencializando as inúmeras possibilidades do campo percussivo.
Assim como os homens, cada tambor possui uma voz, marcada por um timbre próprio, que é a sua personalidade sonora. Para a orquestra, o trabalho de resgate dos timbres dos tambores, dividindo e distribuindo os sons em graves, médios e agudos, é essencial para a consolidação de uma estética percussiva rica, limpa e melódica.
Parafraseando uma orquestra harmônica convencional, cada tambor tem o seu lugar dentro da música executada, complementando-se entre si e acrescentando sons distintos no andamento rítmico, sem a confusão de batidas que geralmente se observa nos grupos de percussão.
O pífano, instrumento de influência indígena e típico do folclore nordestino, é outra voz importante dentro da orquestra. Foi adotado para preencher com melodia a percussão do grupo, além de permitir um resgate da sonoridade popular das tradicionais bandas de pífano espalhadas pelo país e que tanto influenciam arranjadores da música contemporânea.
[Construindo batuques]
- a confecção de instrumentos -
De início, a confecção de instrumentos artesanais representava uma alternativa para a falta de recursos financeiros. Porém, logo se transformou em uma das características marcantes do grupo, consolidando uma identidade estética e sonora bastante peculiar.
A maioria dos instrumentos é utilizada ou tem sua origem nas manifestações afro-religiosas e populares do nordeste do Brasil. Outros são frutos da veia experimental e da criatividade dos integrantes. Todos são confeccionados a partir das necessidades “timbrísticas” originadas ao longo do processo de criação musical e das influências culturais do grupo.
Os materiais utilizados são os mais diversos possíveis e invariavelmente, têm a imaginação como fator fundamental. Tronco de coqueiro, sementes, pele de cabra, chaves velhas, cano de pvc, bambu, cabo de vassoura, pregos e outros viram matéria-prima para a musicalidade, numa comunhão sonora sem igual.
A família dos instrumentos de percussão é muito grande e muito rica em timbres. As possibilidades são inúmeras, oferecendo um leque riquíssimo, tanto para a confecção de instrumentos tradicionais, quanto para a criação de elementos percussivos experimentais.
Considerando essa diversidade, alguns dos instrumentos confeccionados pela orquestra são: atabaques (rum, rumpi e lê), engome, djembês, zabumba, caixa, bumbo, agogô, berimbau, marimbau, reco-reco, poica, pífano, caxixis, maracá, efeitos, além de outros que, apesar de não confeccionados, são utilizados nas apresentações, como triângulo, pandeiro e pratos (ver foto 1.3, pg. 8).
[Repercutindo a criação]
- a formação de multiplicadores –
A Orquestra de Tambores de Alagoas é uma iniciativa que vai além da musicalidade. Desde o início, um dos principais focos do grupo tem sido a utilização da percussão como elemento alternativo de inserção do indivíduo na esfera social através da capacitação musical (teórica e prática) e da criação de uma fonte de renda proveniente da confecção de instrumentos artesanais.
O grupo é aberto a qualquer interessado, e, por isso mesmo, formado por indivíduos das mais diferentes realidades sócio-econômicas. Esse fator faz com que a troca de experiências e influências seja sempre crescente, além de fortalecer o senso de coletividade.
A idéia central é que cada um dos integrantes, em um determinado momento deste processo de aprendizagem, passe a ministrar aulas e oficinas, aumentando ainda mais a abrangência do projeto.A formação desses multiplicadores sociais é imprescindível no processo de resgate e valorização das nossas raízes culturais. O estudo da sonoridade própria do nosso país e de toda uma cultura pela qual foi influenciada é um dos fatores decisivos dentro do processo de criação e desenvolvimento da auto-estima e da identidade de um
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